PCSC e Serviço Secreto dos EUA apresentam estratégias de proteção escolar

O primeiro dia do Encontro Nacional de Avaliação de Ameaças Comportamentais e Segurança Escolar, que aconteceu nesta segunda-feira (16/03), sediado pela Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) em Florianópolis, trouxe um debate inovador que promete transformar as políticas de proteção nas instituições de ensino brasileiras. O destaque central foi a participação do National Threat Assessment Center (NTAC), do Serviço Secreto dos Estados Unidos, que apresentou como a análise proativa de comportamentos, em vez de apenas o reforço de barreiras físicas, é a ferramenta mais eficaz para prevenir tragédias.

Uma das principais lições compartilhadas pelos especialistas americanos é a desconstrução da ideia de que existe um perfil fixo para um agressor escolar. Segundo as pesquisas apresentadas por Emma Virden, do NTAC, o foco das autoridades deve sair das características físicas ou diagnósticos para se voltar inteiramente às mudanças de conduta e comunicações de risco. A análise comportamental permite identificar indivíduos que estão em uma trajetória de violência muito antes de qualquer ato ser planejado, possibilitando uma intervenção que salva vidas.

Outro tópico de grande impacto foi a necessidade de uma resposta que ultrapasse os limites da segurança pública. Ashley Smolinski, supervisora de pesquisas do Serviço Secreto, enfatizou que a prevenção eficiente nasce da criação de equipes multidisciplinares dentro das escolas, unindo policiais, educadores e profissionais de saúde mental. Esse modelo, que Santa Catarina já vem fortalecendo institucionalmente, visa criar um sistema de apoio que identifica o estudante em crise e intervém de forma proativa antes que ele represente um risco real para si ou para os outros.

Para dar solidez científica a essas teorias, o encontro contou com a expertise de Kevin Maass, especialista em pesquisa em ciências sociais do NTAC. Com mestrado em Criminologia pela George Mason University e experiência no monitoramento de tendências criminais no governo federal dos Estados Unidos, Maass trouxe estudos de caso que provam que a violência escolar raramente é um ato impulsivo.

Através de análises sistêmicas, ele demonstrou que os agressores costumam emitir sinais claros para amigos e familiares. O debate reforçou que ignorar “brincadeiras” ou postagens preocupantes em redes sociais pode ser um erro fatal, destacando a necessidade de fortalecer os canais de denúncia e a confiança entre a sociedade e as forças de segurança.

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